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Inteligência Artificial e o Desemprego

Inteligência Artificial contribui para aumentar o desemprego em profissões tradicionais, mas cria novas profissões gerando novos empregos

Passamos por um momento em que o tema “relação entre tecnologia e desemprego” tem sido assunto em acirrados debates e destaque na mídia. Não há dúvidas de que o avanço no desenvolvimento e na adoção de novas tecnologias com uso de Inteligência Artificial contribuem para aumentar ainda mais o desemprego.

A taxa de desemprego no Brasil foi de 11% no quarto trimestre de 2019, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O termo “Inteligência Artificial” representa um conjunto de software, lógica e recursos de computação que realizam funções que até poucos anos eram exclusivamente humanas, como aprender comportamentos a partir de dados históricos, perceber o significado em linguagem escrita ou falada, reconhecer imagens e expressões faciais,  tomar decisões a partir de aprendizado supervisionado por humanos ou simplesmente a partir dos dados.

O conceito foi criado 1956 por John McCarthy, então professor de matemática e cientista americano.  Ele criou o termo para descrever um mundo em que as máquinas poderiam “resolver os tipos de problemas que hoje são reservados para humanos.”

A Inteligência Artificial (IA) já não é mais um termo desconhecido e distante da maioria das pessoas. Quem ainda não utilizou um serviço de atendimento a clientes de empresas que utilizam Assistentes Virtuais Inteligentes (chatbots ou robôs) para se informar ou resolver problemas com empresas de telefonia, bancos e grandes varejistas? Bia do Bradesco, Aura da Vivo, Joice da Oi, Magalu da Magazine Luiza?

Esses robôs são treinados a partir do histórico de atendimentos já realizados por atendentes humanos e o seu aprendizado é melhorado continuamente.  Quanto mais pessoas são atendidas por um robô, mais ele aprende e aprimora as suas respostas, se tornando bem mais eficiente do que atendentes humanos para informar ou resolver problemas, desde os mais corriqueiros até os mais complexos, como negociação de débitos e financiamentos. 

Quando o robô não dá uma boa resposta, o usuário pode pedir para falar com um atendente humano. Esse é o ambiente ideal para o uso desse tipo de tecnologia, quando se misturam humanos e robôs para atender melhor ao público.

A Inteligência Artificial é utilizada em várias outras áreas não tão percebidas pelo público, mas com resultados fantásticos: detecção de evasão fiscal pelas Secretarias de Fazenda; detecção de fraudes em empresas do setor financeiro; redução de perdas técnicas e comerciais em empresas de telefonia, saneamento e indústrias em geral; logística; varejo; escritórios de advocacia. É uma ferramenta muito útil e cada vez mais utilizada por todos os setores públicos e privados.

Eu venho estudando e trabalhando com soluções que utilizam Inteligência Artificial há alguns anos e, nas conversas com amigos, algumas perguntas são comuns:

1) Inteligência artificial pode gerar desemprego?

Sim. Segundo estudo realizado pela Microsoft e Fundação Getúlio Vargas, a Inteligência Artificial pode aumentar o desemprego no Brasil em quase 4 pontos percentuais nos próximos 15 anos.

No curto prazo, o setor de Telemarketing é um dos mais afetados. Teve uma queda de mais de 21.000 postos de trabalho no ano de 2019.

Segundo o neurocientista Álvaro Machado Dias, a adoção intensiva da Inteligência Artificial pode ter efeito catastrófico no desemprego e desigualdade: “Talvez tenhamos a proliferação de algoritmos capazes de ocupar o papel de pessoas na esfera produtiva com mais velocidade do que as pessoas conseguem reinventar seus empregos. Se isso for verdade, podemos ter um aumento irreversível de desemprego e desigualdade” .

2) Inteligência artificial criará empregos?

Sim. Muitos dos empregos serão criados em categorias totalmente novas que não temos nem ideia, não podemos nem pensar. A tecnologia está transformando o mercado de trabalho e impulsionando a criação de novas profissões.

Se você voltar no tempo 20 ou 30 anos atrás e dissesse a um grupo de pessoas que eles trabalhariam como profissionais de marketing de mídia social ou motoristas de aplicativos, eles não teriam ideia do que você estava falando. Da mesma forma, daqui a 20 ou 30 anos, haverá setores inteiros da economia – grandes empregadores – que nem sequer são possíveis hoje. Os operários de ontem são os programadores de hoje, digitadores e secretárias de ontem são administradores de dados hoje, agricultores de ontem são motoristas de Uber..

Profissões ligadas à tecnologia estão entre as que mais vão crescer nos próximos anos, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023. O trabalho é elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) para subsidiar a oferta de cursos da instituição.

3) Como preparar meus filhos para um futuro de uso intensivo de Inteligência artificial?

Com a aprendizagem em Tecnologia desde a educação básica. Países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Austrália, Japão e vários outros vem adotando métodos de ensino como a educação STEM, movimento que propõe um ensino baseado em quatro disciplinas específicas (ciências, tecnologia, engenharia e matemática), integradas em uma abordagem interdisciplinar inovadora.

No caso do Brasil, o movimento da educação STEM ainda é bastante tímido, o que é preocupante, pois fica muito atrás nesse quesito na comparação com outros países em desenvolvimento, como a Índia.

4) Do ponto de vista de empregos, quais categorias serão menos afetadas pela IA?

A Inteligência Artificial não vai acabar com os empregos. Existem muitas categorias de emprego que serão relativamente pouco afetadas por sistemas de Inteligência Artificial. Governo, saúde, educação, lazer e hospitalidade e muitas categorias de serviços profissionais continuarão sendo os principais empregadores. Algumas atividades como programas de saúde da família do SUS, acompanhantes e cuidadores de idosos, por exemplo, estão criando muitos empregos. Veja essa notícia do Valor Investe: Com alta de 547%, cuidador de idoso é a profissão que mais cresce no país .

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